Fibras alimentares

As fibras alimentares são as partes dos alimentos de origem vegetal que o organismo não é capaz de digerir. Por não serem digeridas, as fibras apresentam efeitos benéficos variados sobre o trato gastrintestinal e para o organismo como um todo.

O que são as Fibras Alimentares?

As fibras podem ser classificadas como solúveis ou insolúveis, em função de sua solubilidade em água.

Fibras Solúveis

As fibras solúveis possuem a capacidade de formação de gel, o que contribui para sensação de saciedade e na redução da absorção do colesterol, por exemplo. Mais adiante, na passagem pelo trato gastrintestinal, contribuem para o aumento do bolo fecal e funcionamento do intestino. As fibras solúveis com efeito prebiótico são altamente fermentáveis e estimulam o crescimento das bactérias “boas” do intestino, contribuindo para uma microbiota intestinal saudável.

Fibras Insolúveis

Já as fibras insolúveis não formam géis e apresentam a fermentação limitada. Os benefícios de seu consumo estão relacionados à diminuição do tempo de trânsito intestinal e o aumento do volume fecal, o que facilita o processo de evacuação e previne a prisão de ventre.

Especificamente em relação à melhora do funcionamento do intestino, o mecanismo de ação das fibras consiste em reter água e aumentar o volume fecal, promovendo o amolecimento das fezes e estimulando os movimentos intestinais, o que facilita o processo de evacuação. Os suplementos de fibras possuem essas formas de atuação, porém não são todos iguais. Existem diferentes formulações disponíveis nas farmácias, mas em linhas gerais, derivam da ação natural das fibras no organismo e que não proporcionam efeitos colaterais.

O que são os Laxantes?

Os laxantes, por outro lado, podem atuar de diferentes formas. Os laxantes são medicamentos que estimulam as contrações intestinais, auxiliando na eliminação das fezes e combatendo temporariamente a prisão de ventre.

Laxantes e suas categorias

A categoria de laxantes não estimulantes se divide entre os chamados amaciantes de fezes e os emolientes ou lubrificantes, ambos de ação mais sutil.

Uma segunda categoria é a dos agentes osmóticos, que promovem a concentração de água no interior do intestino, aumentando o tamanho do bolo fecal e estimulando os movimentos intestinais, mas de forma artificial.

E a terceira categoria é dos estimulantes intestinais que também mantém maior concentração de água no interior do intestino, além de estimular diretamente os movimentos intestinais (o que muitas vezes pode gerar dor e desconforto).

Se, por um lado, o mecanismo de ação dos laxantes é rápido, por outro, seus efeitos colaterais variam de cólica abdominal até distúrbios eletrolíticos (baixos níveis de potássio, por exemplo), pois perde-se não somente água, como também eletrólitos nos episódios de evacuação promovidos por eles. Além disso, se utilizados de forma prolongada e sem a devida orientação e acompanhamento de um profissional de saúde causam irritação na parede intestinal, comprometimento na absorção de vitaminas lipossolúveis, mudanças na microbiota e até dependência – o intestino passa a funcionar somente a partir de sua atuação. O uso indiscriminado de laxantes é perigoso e por isso, sua utilização, quando necessária, deve ser feita somente sob orientação médica.

Portanto, para um bom funcionamento intestinal em longo prazo, é fundamental adotar hábitos saudáveis e manter um padrão alimentar adequado, equilibrado e rico em fibras, o que contribui grandemente para a melhora da saúde geral e da qualidade de vida.

Referências consultadas:

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