Prisão de Ventre e Acne. Qual a relação?

A acne é uma doença de pele que ocorre quando as glândulas sebáceas (produtoras de óleo) se tornam inflamadas ou infectadas, provocando cravos, espinhas, cistos, caroços e cicatrizes em graus variados, com maior ou menor inflamação. Aparecem com maior frequência no rosto, peito e costas e, é considerada o “pavor dos adolescentes”. Isso porque, a acne atinge de 35% a 90% desta faixa etária, sendo os meninos os mais atingidos devido à produção de hormônios andrógenos. Mas não são apenas os adolescentes que sofrem com esta situação. Muitos adultos, principalmente as mulheres adultas, apresentam a acne.1

Quais são as causas da acne? 2,3

Os fatores hormonais são os maiores responsáveis pelo aparecimento da acne. Porém, outros fatores podem interferir como:

  • Fatores hereditários;
  • Alguns remédios;
  • Alguns cosméticos;
  • Fatores emocionais;
  • Alimentação;
  • Funcionamento do intestino.

Chocolate aumenta a acne? 2

O chocolate carrega a fama de ser um vilão quando o assunto é acne ou espinhas. Porém, o problema não está no chocolate em si, mas em alguns ingredientes que ele carrega como o leite e o açúcar. Estudos mostram que alimentos com alto índice glicêmico, isto é, alimentos que disparam a glicose de forma mais rápida no organismo, estão relacionados com o aumento de acne. Além desses, os alimentos processados, laticínios, açúcares e óleos refinados também pioram o quadro. Diversas pesquisas mostraram que o consumo de alimentos com baixo índice glicêmico, pode contribuir na prevenção da diminuição do quadro inflamatório da acne. As fibras solúveis são uma excelente alternativa para serem consumidas juntas de alimentos com carboidratos. Isso porque elas reduzem o índice glicêmico dos alimentos diminuindo a velocidade com que a glicose é disparada no organismo. Então fica a dica: procure chocolates com maior teor de cacau (isso significa que vai ter menos açúcar e leite) e inclua fibras solúveis na sua alimentação.

Qual a relação da prisão de ventre com a acne? 5,6

Já não é de hoje que as pesquisas afirmam que existe um eixo entre o intestino-cérebro-pele que conecta bactérias intestinais à gravidade da acne. Isso significa que o seu intestino preso pode agravar a sua acne. O cérebro também tem influência. As emoções de estresse (por exemplo, depressão e ansiedade) pioraram o quadro de acne, alterando a microbiota intestinal e aumentando a permeabilidade intestinal, contribuindo assim, potencialmente para a inflamação da pele. Entenda: a nossa pele e o nosso intestino contêm bactérias benéficas e patogênicas. Porém, quando ocorre a disbiose, que é o desequilíbrio da composição desta microbiota com o aumento das bactérias patogênicas, ocorrem diversas alterações no organismo, levando a uma produção de toxinas, que podem “escapar” do intestino junto com as bactérias, através de uma barreira intestinal permeável, provocando alterações hormonais, alterações de pele, alterações psicológicas e prisão de ventre.

A prisão de ventre tem diversas causas. Uma delas está relacionada a este desequilíbrio das bactérias no intestino. Além disso, a composição da sua dieta tem tudo a ver com a composição das suas bactérias. Você sabia que as bactérias patogênicas adoram comer açúcar? Já as bactérias benéficas, adoram comer fibras solúveis. Se o indivíduo tem uma alimentação rica em açúcares e baixa em fibras, é um grande candidato a ter prisão de ventre e desequilíbrio da flora intestinal devido ao crescimento das bactérias que causam doenças. Já o indivíduo com uma alimentação saudável, rica em fibras e água, terá um melhor funcionamento do intestino e maior quantidade de bactérias que irão nos ajudar a melhorar a imunidade, diminuir toxinas e reduzir o quadro de acne.

Estudos recentes indicam que o supercrescimento de bactérias maléficas no intestino delgado é 10 vezes mais prevalente em pessoas com acne do que em pessoas saudáveis.

Microbiota saudável e a redução da acne 7,8

O´Neill e colaboradores comentam que em situações de doenças, a disbiose da microbiota intestinal leva a uma produção de toxinas, que podem “escapar” do intestino junto com as bactérias através de uma barreira intestinal permeável aumentando assim a inflamação da pele responsável pela acne.

Neste caso, a ingestão de probióticos, que são as bactérias benéficas, pode melhorar o quadro de inflamação da acne, pois ajudam a equilibrar a flora intestinal e, com isso, reduzir a inflamação. Além disso, incluir os prebióticos, que são as fibras não digeríveis, também é importante, pois como vimos, as bactérias do bem se alimentam dessas fibras, que irão participar também da melhora da prisão de ventre.

Então anote aí:

  • Diminua o consumo de laticínios e alimentos de alto índice glicêmico como: pães, doces e sucos;
  • Coma uma maior quantidade de fibras solúveis, que além de servir de alimento para bactérias boas, diminuem o índice glicêmico dos alimentos e melhoram o funcionamento do intestino;
  • Inclua probióticos no seu dia a dia, caso necessário.

Converse sempre com um profissional de saúde.

As fibras alimentares auxiliam no funcionamento do intestino.

Referências consultadas:

  • Ministério da Saúde. Acne, 2015 [acesso em 12 de janeiro de 2021]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/410-acne
  • Costa A, et al. Acne e dieta: verdade ou mito? An. Bras. Dermatol. 2010;85(3):346-353.
  • Chiu A, et al. The response of skin disease to stress: changes in the severity of acne vulgaris as affected by examination stress. Arch Dermatol. 2003;139(7):897-900.
  • Selores M. Acne. Nascer e Crescer. 2011;20(3):188-191.
  • Bowe WP, Logan AC. Acne vulgaris, probiotics and the gut-brain-skin axis - back to the future?. Gut Pathog. 2011;3(1):1.
  • Zhang H, et al. Risk factors for sebaceous gland diseases and their relationship to gastrointestinal dysfunction in Han adolescents. J Dermatol. 2008;35(9):555-61.
  • O'Neill CA, et al. The gut-skin axis in health and disease: A paradigm with therapeutic implications. Bioessays. 2016;38(11):1167-1176.
  • Arck P, et al. Is there a 'gut-brain-skin axis'? Exp Dermatol. 2010;19(5):401-5.

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